Candidato ao Senado afirmou, durante debate, que Braga seria sócio da empresa ligada à Âmbar Energia. Senador nega participação na concessionária e diz possuir ações da JBS, empresa do mesmo grupo econômico
A disputa eleitoral pelo Senado no Amazonas ganhou um novo capítulo nesta semana após um embate entre os candidatos Wilson Lima (União Brasil) e Eduardo Braga (MDB) envolvendo a Âmbar Energia, empresa que assumiu o controle da distribuidora de energia elétrica do Amazonas.

Durante debate realizado na quinta-feira (17), Wilson Lima questionou Braga sobre uma suposta participação societária na empresa responsável pela distribuição de energia no Estado. O ex-governador afirmou que o senador seria sócio de uma empresa ligada à Âmbar e relacionou o assunto ao aumento das contas de energia.
Braga reagiu às declarações e negou ser acionista da Âmbar Energia. Em coletiva após o debate, afirmou que possui ações da JBS, e não da Âmbar, e classificou a acusação de Wilson como um “factoide político”.
O que consta na declaração de bens
A declaração patrimonial apresentada por Eduardo Braga à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026 registra 9.800 ações da JBS N.V., vinculadas ao código JBSS32, avaliadas em aproximadamente R$ 749,9 mil na declaração. Os dados eleitorais estão disponíveis no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do TSE.
A questão levantada no debate está na relação empresarial: a JBS integra a J&F Investimentos, grupo que também controla a Âmbar Energia. A Âmbar assumiu o controle da distribuidora amazonense após acordo homologado pela Justiça Federal em março de 2026.
Isso, porém, não significa que Braga seja diretamente sócio ou acionista da Âmbar. A existência de ações da JBS demonstra uma participação acionária na empresa de proteína animal, enquanto a Âmbar é outra companhia do mesmo grupo econômico. A própria declaração de Braga, segundo as informações disponíveis, não registra ações da Âmbar.
Concessionária está sob controle da Âmbar
A mudança no controle da distribuidora ocorreu em abril deste ano. A documentação da própria empresa registra a Âmbar Energia Amazonas S.A. como nova concessionária, enquanto informações anteriores apontavam a Oliveira Energia como controladora da Amazonas Energia.
A discussão ganhou força em meio às reclamações de consumidores sobre apagões, oscilações e problemas no fornecimento de energia em Manaus e também diante da atuação política de Braga em temas relacionados ao setor elétrico.
Afinal, Braga é sócio da Âmbar?
Até o momento, os dados públicos consultados não comprovam que Eduardo Braga seja diretamente sócio ou acionista da Âmbar Energia. O que consta na declaração de bens de 2026 é a posse de ações da JBS, empresa pertencente ao mesmo grupo econômico, a J&F, que também controla a Âmbar.
A diferença é importante: ser acionista da JBS não equivale, por si só, a possuir participação societária direta na Âmbar. Da mesma forma, a existência desse investimento não permite concluir automaticamente pela existência de conflito de interesses; isso dependeria das regras aplicáveis e das circunstâncias específicas de cada eventual decisão ou votação envolvendo o setor.
O episódio deve continuar no centro do debate eleitoral no Amazonas, especialmente diante da atuação dos dois candidatos nas discussões sobre o preço e a qualidade do fornecimento de energia no Estado.
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