População enfrenta riscos de alagamento, prejuízos financeiros e contaminações por doenças
No beco Ajuricaba, dentro do bairro Educandos, zona Sul de Manaus, o comerciante Manoel Lima observa o nível do rio Negro subir diariamente. Com ele, vem a preocupação em prejuízos. Durante a cheia de 2021, ele perdeu parte da mercadoria e teve que subir o que conseguiu resgatar para o segundo andar da casa onde mora. O receio, agora, é ter que passar por mais um episódio como esse.
Historicamente, o nível do rio Negro, em Manaus, tende a subir até meados de junho. Até lá, Manoel faz o que pode para conter os danos causados pelo fenômeno natural.
“Rapaz, aqui alagou. Tive que levar aí pra cima as coisas; eu espero que ela [a água] não chegue, não. Ainda tem aí um mês pra subir”, disse.
Enchente chega ao nível do asfalto
A poucos metros dali, quem se preocupa é a trabalhadora doméstica Marilza Moraes. A casa dela fica no fim da ladeira da rua Nova, o asfalto já se encontrou com a água. E o mesmo pode ser dito sobre o muro da residência. Pelas paredes, ainda é bastante visível o estrago deixado pela enchente anterior, a mancha denuncia até onde subiu o nível do rio. O problema para ela é saber se vai ter que sair de casa, geralmente é essa a estratégia usada, mas custa caro.
“Do jeito que está o custo de vida e o aluguel, não tem como [ser barato]. Se daqui pro fim do mês continuar enchendo como está, vamos ter que sair daqui. Quando a gente aluga, paga R$ 1.000, R$ 1.200; por quatro meses”, comentou.
No início deste mês de maio, a Prefeitura de Manaus começou a construir as pontes de madeira no bairro da zona Sul para auxiliar o acesso de moradores tanto para casas quanto para outras regiões da capital. Porém, muitos locais ainda não receberam as obras.
A aposentada Maria Gracilene mora no beco Ajuricaba e sofreu uma queda ao tentar passar por uma ponte construída com restos de madeira pelos próprios moradores do local. À equipe de reportagem, ela mostrou o estado da passagem improvisada: três tábuas finas atrás e apenas uma na frente, e toda essa estrutura precária presa com uma corda junto à escada.
“Eu tenho 67 anos, eu caí e bati minha cadeira [as costas]; tenho hérnia de disco, fui ali na clínica e me cobraram R$ 180 para um exame”, lamentou.
Previsões
Para Manaus, a previsão é de que o rio Negro atinja um valor de aproximadamente 28,91 m, com um intervalo provável variando entre 28,38 e 29,43 m ( 80% de intervalo de confiança). Para a cota de inundação severa (29,00 m) essa probabilidade é de 42%, e para a cota máxima (30,02 m em 2021) é de apenas 1,0%. Ainda segundo o relatório do SGB, o rio tem um comportamento em que 73% dos anos da série histórica a cota máxima é atingida no mês de junho e 24% no mês julho. A partir daí, o rio Negro tende a iniciar seu processo de vazante, até que atinja a cota mínima.
Rio de doenças
Com a enchente, o nível do rio sobe junto com lixo. A imagem que se vê com bastante frequência é uma superfície coberta com restos de alimentos, plásticos, garradas PET, borracha e outros materiais poluentes que se juntam e formam uma camada contaminada.
O médico infectologista Nelson Barbosa explicou que isso se torna um grande centro de contaminação de doenças para pessoas que vivem em locais de inundação.
“O lixo acumulado pelas enchentes cria um ambiente ideal para a multiplicação de vetores e microrganismos que podem causar doença no ser humano, como por exemplo as doenças diarreicas, hepatite A e outras. Então é muito importante o cuidado, não entrar em locais com lixo acumulado pela enchente”, contou.
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) reforça que a prevenção é a melhor forma de lidar com o cenário. A gerente de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Departamento de Vigilância Epidemiológica (DVE) da entidade, Lilian Furtado, esclareceu que a preocupação precisa estar redobrada com outra doença bastante comum, a leptospirose.
“A leptospirose, por exemplo, é transmitida pela urina de ratos e pode ser grave se não tratada a tempo. Por isso, se precisar entrar em contato com água, usar botas, evitar o contato direto e lavar bem o corpo com água limpa e sabão ao chegar em casa. E atenção, se sentir febre, dor no corpo, olhos vermelhos, vômito ou diarreia após o contato com a água suja, deve procurar uma unidade de saúde. Esses são sinais de alerta para você informar nessas unidades”, destacou.
A subida do rio Negro
Em 2021, Manaus registrou a maior cheia da série histórica em mais de 120 anos de medição do io Negro, quando atingiu a marca de 30,02 metros. No dia 23 de maio daquele ano, a cota foi de 29,88m, com subida de 2cm naquele dia. Já no dia 23 deste mês, o patamar está um pouco abaixo, 28,42m. Vale ressaltar que, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a capital do Amazonas ultrapassou a cota de inundação ao bater 27,5 m.
Por enquanto, o boletim mais atualizado do sistema de monitoramento do SGB indica que o comportamento do rio está dentro da faixa aguardada, em Manaus, o processo de enchente ocorre com médias diárias na ordem de 3 cm e as cotas se encontram levemente acima da normalidade para o período.
No beco Ajuricaba, dentro do bairro Educandos, zona Sul de Manaus, o comerciante Manoel Lima observa o nível do rio Negro subir diariamente. Com ele, vem a preocupação em prejuízos. Durante a cheia de 2021, ele perdeu parte da mercadoria e teve que subir o que conseguiu resgatar para o segundo andar da casa onde mora. O receio, agora, é ter que passar por mais um episódio como esse.
Historicamente, o nível do rio Negro, em Manaus, tende a subir até meados de junho. Até lá, Manoel faz o que pode para conter os danos causados pelo fenômeno natural.
“Rapaz, aqui alagou. Tive que levar aí pra cima as coisas; eu espero que ela [a água] não chegue, não. Ainda tem aí um mês pra subir”, disse.
Enchente chega ao nível do asfalto
A poucos metros dali, quem se preocupa é a trabalhadora doméstica Marilza Moraes. A casa dela fica no fim da ladeira da rua Nova, o asfalto já se encontrou com a água. E o mesmo pode ser dito sobre o muro da residência. Pelas paredes, ainda é bastante visível o estrago deixado pela enchente anterior, a mancha denuncia até onde subiu o nível do rio. O problema para ela é saber se vai ter que sair de casa, geralmente é essa a estratégia usada, mas custa caro.
“Do jeito que está o custo de vida e o aluguel, não tem como [ser barato]. Se daqui pro fim do mês continuar enchendo como está, vamos ter que sair daqui. Quando a gente aluga, paga R$ 1.000, R$ 1.200; por quatro meses”, comentou.
No início deste mês de maio, a Prefeitura de Manaus começou a construir as pontes de madeira no bairro da zona Sul para auxiliar o acesso de moradores tanto para casas quanto para outras regiões da capital. Porém, muitos locais ainda não receberam as obras.
A aposentada Maria Gracilene mora no beco Ajuricaba e sofreu uma queda ao tentar passar por uma ponte construída com restos de madeira pelos próprios moradores do local. À equipe de reportagem, ela mostrou o estado da passagem improvisada: três tábuas finas atrás e apenas uma na frente, e toda essa estrutura precária presa com uma corda junto à escada.
“Eu tenho 67 anos, eu caí e bati minha cadeira [as costas]; tenho hérnia de disco, fui ali na clínica e me cobraram R$ 180 para um exame”, lamentou.
Previsões
Para Manaus, a previsão é de que o rio Negro atinja um valor de aproximadamente 28,91 m, com um intervalo provável variando entre 28,38 e 29,43 m ( 80% de intervalo de confiança). Para a cota de inundação severa (29,00 m) essa probabilidade é de 42%, e para a cota máxima (30,02 m em 2021) é de apenas 1,0%. Ainda segundo o relatório do SGB, o rio tem um comportamento em que 73% dos anos da série histórica a cota máxima é atingida no mês de junho e 24% no mês julho. A partir daí, o rio Negro tende a iniciar seu processo de vazante, até que atinja a cota mínima.
Rio de doenças
Com a enchente, o nível do rio sobe junto com lixo. A imagem que se vê com bastante frequência é uma superfície coberta com restos de alimentos, plásticos, garradas PET, borracha e outros materiais poluentes que se juntam e formam uma camada contaminada.
O médico infectologista Nelson Barbosa explicou que isso se torna um grande centro de contaminação de doenças para pessoas que vivem em locais de inundação.
“O lixo acumulado pelas enchentes cria um ambiente ideal para a multiplicação de vetores e microrganismos que podem causar doença no ser humano, como por exemplo as doenças diarreicas, hepatite A e outras. Então é muito importante o cuidado, não entrar em locais com lixo acumulado pela enchente”, contou.
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) reforça que a prevenção é a melhor forma de lidar com o cenário. A gerente de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Departamento de Vigilância Epidemiológica (DVE) da entidade, Lilian Furtado, esclareceu que a preocupação precisa estar redobrada com outra doença bastante comum, a leptospirose.
“A leptospirose, por exemplo, é transmitida pela urina de ratos e pode ser grave se não tratada a tempo. Por isso, se precisar entrar em contato com água, usar botas, evitar o contato direto e lavar bem o corpo com água limpa e sabão ao chegar em casa. E atenção, se sentir febre, dor no corpo, olhos vermelhos, vômito ou diarreia após o contato com a água suja, deve procurar uma unidade de saúde. Esses são sinais de alerta para você informar nessas unidades”, destacou.
A subida do rio Negro
Em 2021, Manaus registrou a maior cheia da série histórica em mais de 120 anos de medição do io Negro, quando atingiu a marca de 30,02 metros. No dia 23 de maio daquele ano, a cota foi de 29,88m, com subida de 2cm naquele dia. Já no dia 23 deste mês, o patamar está um pouco abaixo, 28,42m. Vale ressaltar que, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a capital do Amazonas ultrapassou a cota de inundação ao bater 27,5 m.
Por enquanto, o boletim mais atualizado do sistema de monitoramento do SGB indica que o comportamento do rio está dentro da faixa aguardada, em Manaus, o processo de enchente ocorre com médias diárias na ordem de 3 cm e as cotas se encontram levemente acima da normalidade para o período.
Via A Critica
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