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Assessor do Reino Unido alerta para risco de ‘conflito nuclear’

O conselheiro de segurança nacional do Reino Unido, Sir Stephen Lovegrove, alertou para o risco de ocorrer um conflito nuclear do Ocidente com a China e a Rússia. Para Lovegrove, a deterioração dos canais de comunicação entre os países resultou numa chance maior de uma escalada para a guerra.

“Os dois blocos monolíticos da Guerra Fria, a URSS e a Otan, embora não sem choques alarmantes, conseguiram chegar a um entendimento compartilhado de doutrina que hoje está ausente”, discursou ele no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, EUA, nesta quarta-feira.

Os pontos de tensão entre Pequim e Washington se multiplicaram nos últimos anos, mas uma conversa por telefone do presidente dos EUA, Joe Biden, com o da China, Xi Jinping, está prevista para esta quinta-feira, a primeira desde março, numa tentativa de dissipar as tensões sobre Taiwan.

Um dia antes, a China alertou que os EUA terão de assumir “sérias consequências” perante uma possível visita a Taiwan da presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi. A China insiste que Taiwan, que tem seu próprio governo democraticamente eleito, é seu território soberano e está determinada a reunificar a ilha, pela força, se necessário.

Em 2021, Pequim testou um míssil hipersônico que circunavegou o globo antes de atingir um alvo. China, Rússia e EUA também estão desenvolvendo mísseis hipersônicos que viajam a mais de cinco vezes a velocidade do som e podem manobrar no ar. A Rússia se tornou o primeiro país a usar sistemas hipersônicos durante uma guerra, quando Moscou instalou seus mísseis Kinzhal na Ucrânia. O Kremlin afirma que os mísseis são capazes de transportar ogivas nucleares.

Segundo o jornal britânico The Guardian, Lovegrove elogiou a decisão da Casa Branca de se reaproximar da China, mas também destacou os riscos dos avanços tecnológicos.

“Temos preocupações claras sobre o programa de modernização nuclear da China, que aumentará o número e os tipos de sistemas de armas nucleares em seu arsenal”, disse ele.

Lovegrove reconhece a importância de elementos que afastam a ideia de um conflito nuclear, como a convenção de armas químicas, a de armas biológicas e tóxicas, e o tratado sobre a não proliferação de armas nucleares. No entanto, ele disse temer “que o conflito se encaixe no padrão da Rússia agindo de forma deliberada e imprudente para minar a arquitetura de segurança global”.

“Esse é um padrão que inclui a anexação ilegal da Crimeia, o uso de armas químicas e radiológicas em solo britânico e as repetidas violações que causaram o colapso do tratado INF [forças nucleares de alcance intermediário].”

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