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Biofilia e paraísos perfeitos são conceitos aplicados pelo planejamento urbano em projetos da Prefeitura de Manaus

Feche os olhos por um instante e se imagine com os pés na areia, sentindo a luz natural, sua respiração, um leve calor do sol e perceba o bem-estar. Abra e olhe em torno, tendo como vista o gigante rio Negro. Sinta-se cercado pela água e pela vida. Essa reconexão de amor às coisas vivas é um dos conceitos que na arquitetura se chama de biofilia. E essa fonte de inspiração que valoriza a saúde, o conforto emocional e a conexão com a natureza está presente em vários projetos da Prefeitura de Manaus, desenvolvidos pela equipe de arquitetos do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), especialmente os do “Nosso Centro” e para o complexo turístico da Ponta Negra.

Em tempos de pandemia e pós-pandêmico, experiências ao ar livre, a vida neste ambiente biofílico, já é tendência moderna e que conectará mais pessoas aos espaços exteriores.

Com 1.650 metros quadrados, a revitalização do antigo Local Casa de Praia, cercado por um calçadão de pedras portuguesas com desenhos e mosaicos, semelhantes aos que foram usados pelo paisagista Burle Max, receberá intervenções dentro do programa de crescimento econômico e social “Mais Manaus”, lançado pelo prefeito David Almeida. O parque tem administração do Implurb.

“A revitalização vai transformar a área degradada e abandonada em um espaço mutigeracional, para todas as idades, tendo como diferencial sua visão de paisagem natural, contemplando o rio. Ali teremos uma central de artesanato, área de duty free, praça de alimentação, espaço para shows e playground. Ele é um exemplo da biofilia, algo cognitivo para o ser humano”, explica o diretor de Planejamento do Implurb, arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro.

O espaço terá ainda mesas em áreas arborizadas, um restaurante e passarela mirante da praia.

Reconexão

Os projetos em desenvolvimento e produzidos para a orla de Manaus seguem a experiência biofílica para promover reconexões com a natureza. “Temos uma paisagem com potencial enorme, espécies nativas, plantas, árvores, coleções de paisagismo, da preservação arquitetônica, e precisamos realizar o planejamento urbano com o diálogo entre natureza, arte e projeto”, fala Pedro Paulo.

Buscando soluções para ressoar no futuro, a inspiração na biofilia é um dos pontos altos do edifício Mirante da Ilha, área vertical de entretenimento, lazer, contemplação e negócios às margens do rio Negro, na rua Bernardo Ramos com a avenida Sete de Setembro, no Centro, na Ilha de São Vicente.

Ele integra o “Nosso Centro” e ocupará o antigo prédio da Companhia Energética do Amazonas (Ceam), incluindo marina, mirante, varandas cobertas, praça de alimentação, decks e uma bela cobertura sinuosa, que remete a ondas do rio. Será uma das grandes reconversões de uso projetadas pela Prefeitura de Manaus, via Implurb.

“Estaremos conectados com a natureza, integrada ao projeto e amplificada com paisagismo, vãos livres para deixar a vista ainda mais explícita. Muitas vezes nem percebemos as sensações provocadas pela biofilia, como pisar na grama molhada, ouvir o barulho da chuva, sentir o cheiro de terra molhada”, comenta o arquiteto.

O uso de formas e silhuetas botânicas em vez de linhas retas, como o teto que remete às ondas do rio no Mirante da Ilha, é uma característica em projetos biofílicos.

Conforme relatório da Euromonitor Internacional sobre tendências globais de consumo, entre os comportamentos que influenciarão o pós-pandemia estão o que chamam de oásis ao ar livre e paraísos perfeitos.

“As pessoas tendem a procurar lugares abertos, livres, ventilados para poder conviver, manter as relações sociais, negócios, arte, cultura e entretenimento. Nossos projetos têm foco nestes conceitos, para aproveitar ao máximo diversas atividades com o olhar para a natureza, em espaços projetados para a tendência e levando em conta as particularidades do clima amazônico”.

Termo

O habitat natural serve às civilizações desde o início dos tempos, nos tempos modernos, na revolução industrial e na tecnológica, e durante essa linha do tempo os humanos reestruturaram sua forma de interagir com a natureza.

O termo biofilia foi usado pela primeira vez pelo psicólogo Erich Fromm, nos anos de 1960, e depois popularizado pelo biólogo Edward Wilson, na década de 80, relacionando a urbanização e a desconexão com a natureza. A biofilia na arquitetura busca satisfazer essa necessidade de sinergia com o habitat natural.

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