Empresa acusada por Omar teve R$ 7,6 milhões em 40 contratos sob sua gestão

Manaus (AM) — A empresa Comércio de Alimentos e Bebidas Rio Madeira Ltda., questionada pelo senador e candidato ao Governo do Amazonas Omar Aziz (PSD) já havia firmado 40 contratos com o Governo do Amazonas entre 2011 e 2014, período em que o próprio Omar comandava o Estado. O levantamento, feito pelo Tucumã a partir de documentos da Secretaria de Fazenda do Amazonas (Sefaz) e de outros registros oficiais, mostra que os contratos estaduais somaram R$ 7.614.903,76 em valores identificáveis.

A informação surge um dia depois de Omar questionar duas atas do Governo de Roberto Cidade (União Brasil), com a Rio Madeira para aquisição de kits dormitório e redes destinadas a ações da Defesa Civil. Na segunda-feira (24), o senador anunciou que pretende encaminhar o caso ao MPAM, MPF, Polícia Federal e TCE-AM, apontando como uma das principais questões a compatibilidade entre a atividade econômica das empresas vencedoras e os produtos registrados.

O ponto que coloca a contratação atual em perspectiva é o histórico encontrado nos documentos da Sefaz. Entre 2011 e 2014, a Rio Madeira aparece em 40 contratos com a Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), fornecendo produtos de naturezas variadas, como materiais de expediente, higiene, limpeza, itens escolares, utensílios de copa e materiais utilizados em atividades de costura e fanfarras.

O levantamento mostra que a relação da empresa com o poder público estadual não começou em 2026. Durante o governo de Omar Aziz, a Rio Madeira registrou contratos em diferentes anos e para diferentes objetos, formando um histórico de fornecimento que inclui itens que também não se limitavam ao segmento indicado em sua denominação empresarial.

Histórico de contratos durante o governo Omar
Em 2011, a empresa teve 12 contratos com a SEDUC, que somaram R$ 2.813.289,26. Entre os documentos analisados estão o CT 92/2011, de R$ 122.920,00, para material de expediente, e o CT 90/2011, de R$ 89 mil, para pincéis, ambos assinados em 19 de maio de 2011, com a mesma vigência, de 24 de maio a 22 de agosto daquele ano.

Também em 2011, aparecem contratos de valores mais elevados, como o CT 316/2011, de R$ 293.670,00, para material de higiene, e o CT 304/2011, de R$ 816.273,78, para kits escolares. Os dois foram assinados em 28 de dezembro de 2011, segundo os extratos reunidos no levantamento.

Em 2012, foram identificados 14 contratos, no valor total de R$ 1.266.158,34. Entre eles estão o CT 86/2012, de R$ 65.700,00, para sabão comum, e o CT 87/2012, de R$ 94.500,00, para sabão em pó, ambos assinados em 12 de junho de 2012, além dos contratos CT 201/2012 e CT 200/2012, firmados em 23 de outubro de 2012, para diferentes materiais.

Os documentos também registram uma inconsistência cronológica no CT 186/2012. O contrato aparece com numeração referente a 2012, mas com data de assinatura e início de vigência em 4 de outubro de 2011. O levantamento classifica a divergência como um ponto que merece verificação documental, sem que os registros analisados permitam, por si só, determinar se houve erro de alimentação, falha administrativa ou outro problema na documentação.

Em 2013, a empresa firmou 11 contratos, que somaram R$ 2.464.561,29, segundo os documentos analisados. Entre os negócios estão fornecimentos de grande porte de cadernos e giz de cera para escolas do interior, no valor de aproximadamente R$ 893,3 mil, além de emborrachados, em contrato de aproximadamente R$ 415,1 mil.

Já em 2014, aparecem três contratos, totalizando R$ 1.070.894,87 em valores identificados, uma vez que o valor do CT 99/2014 não está visível no documento utilizado para o levantamento. O maior registro daquele ano foi o CT 30/2014, de aproximadamente R$ 1,04 milhão, envolvendo tintas guache, massa de modelar e cadernos.

Fonte: Portal Tucumã

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